domingo, 22 de junho de 2025

DOFF 2025: um evento de sentimentos divididos

Faz dez anos que frequento o Diversão Offline. Quando tudo era mato, estava eu e mais um punhado de entusiastas de boardgame e cardgame fazendo um encontro simples, divertido e que celebrava nosso hobby tão querido.

Os anos foram passando, a cena foi crescendo e - este ano - a promessa do maior DOFF de todos empolgou muita gente. Teve divulgação mais ampla, teve mais patrocínio, teve uma venda grande de ingresso, teve mais estandes confirmados e... teve uma fila surreal.

Fila pra mim é algo que eu abomino. E, em 2025, pegar duas horas para entrar num evento está fora de questão. Isso matou boa parte da minha experiência no DOFF de 10 anos. Reclamação de uma voz solitária no meio do deserto, eu sei. Escrevo aqui como um diário para revisitar de tempos em tempos, mas foi um começo de evento lamentável.

Cheguei perto das 11h. Achei que ia estar com uma fila grande, mas não imaginava que seria algo que estava dando 15 voltas (sim, 15) no Expo Center Norte.

Não tinha sinalização. Tinham poucas pessoas para organizar a bagunça. Quando a gente entrava no evento, descobria que tinha a fila da fila com um caos de pessoas abanando a mão para escanear QR code.

Faltou pessoal.

Faltou totem de auto atendimento.

Faltou poder imprimir crachá em casa.

Faltou.

Entrei cansado no Expo Center Norte. Duas horas de pé é dureza. O que entendi disso? O DOFF não soube crescer. Quem sou eu para opinar em organização de evento? Poxa, sou uma das muitas pessoas que pagaram uma grana razoável para ficar feito tonto em um sábado de manhã dando volta. Não pude perder a piada e deixar de fazer essa imagem:



Outra coisa que me deixou triste, logo na entrada do evento, foi ver a galera da organização empilhando as doações de alimento debaixo da escada. Baita bagunça e baita descaso com a comida. Achei feio.



Mas, teve coisa boa também. Encontrar os amigos Tola, Leo, RMG, Barba, Murilão, Fel, Parma, Torselli e muitos alunos e ex-alunos. Assistir a palestra do Friedemann Friese. Ver o WAR 2 (que eu fiz o game design) em destaque no estande da Grow. Comprar seis games - fazia tempo que não pegava uma leva dessas.











Espero que role um aprendizado com esse evento e que ele volte a ser 100% ano que vem.

#GoGamers

sexta-feira, 20 de junho de 2025

KINGs: TRICKTAKERs

No post anterior falei do game TRICKTAKERs do designer Hiroken. Vamos falar de outro jogo dele que se passa no mesmo universo: o KINGs.



KINGs é uma versão simplifica de TRICKTAKERs. É um game de vaza com uma fase de draft para você escolher cartas de personagens com suas respectivas habilidades. Cada jogador ainda tem uma família real com rei, rainha e valete que vão ditar habilidades únicas por partida. É uma vaza assimétrica também.





Tem um visual bem fofo e eu gostei mais que o TRICKTAKERs, mas - como no outro - é muita regra para pouco jogo. A fase de draft demora demais e a vaza em si passa correndo. Gostei de conhecer, mas nunca compraria.

#GoGamers

TRICKTAKERs

Cacetada, esse aqui é muita regra para pouco jogo. Não consegui gostar de TRICKTAKERs. O título japonês é um game de vaza no qual, assim que você pega suas cartas, você escolhe um personagem com poderes específicos. Tem o rei, o eremita, o gambler etc. A questão é que cada personagem tem regras próprias para ganhar uma vaza. Alguns tem sets de cartas, tokens, dados etc. para modelar suas habilidades. Isso dá uma complexidade para o game que, definitivamente, não é algo que eu procuro em jogos hoje. O jogo base tem três rodadas de vaza, e ganha quem fizer mais vazas em duas das três rodadas. Mas se ninguém conseguir isso, quem não fez nenhuma vaza nas três rodadas ganha. O game é assinado pelo designer Hiroken e, aparentemente, vai vir para o Brasil.



Cada personagem te dá uma chance de "vitória imediata" que você pode conseguir na hora. Os personagens também te dão jeitos de fazer pontos, e essa é a última forma de decidir quem ganha: quem tiver mais pontos.



Pra você ter uma ideia das habilidades dos personagens, o gambler pode trocar as cartas da mão inicial por outras, e ainda aposta em quantas vazas ele vai fazer, podendo ganhar uns pontos extras se conseguir. Já a carta da "Resistência" pode causar uma "revolução" que inverte a força das cartas, e ganha mais pontos se conseguir pegar vazas com as cartas que normalmente seriam as "altas".

É daqueles game que demora uma vida pra explicar e, na prática, se joga três rodadas de vaza com cinco cartas na mão.

#GoGamers

Over Million

Olha, acho que esse é um dos top 3 jogos mais feios que eu já joguei na vida. Parece que o layout do game foi feito num arquivo de Power Point. Conheçam o climbing Over Million de Keita Kasagi, uma pérola japonesa que joguei no pré-DOFF desse ano.



Como funciona esse lindo mosaico de cores? A ideia é você baixar um número maior que o da mesa e, se conseguir zerar a mão, você ganha. É um climbing que tem elementos de Scout (de não pode mexer na mão) e de Odin (de montar longos números - até porque o nome do jogo tem a ver com isso).



A parada é que você não pode trocar as cartas que tem na mão. MAS, se rolar umas condições específicas, dá pra juntar as cartas e baixar tudo de uma vez. Tipo, se você tiver "21", "15" e "53", pode combinar pra fazer um 2153. É meio confuso num primeiro momento, mas rola bem.



Na sua vez, você tem duas opções: ou joga uma carta da mão que seja maior que o número da mesa, ou então pega uma carta da esquerda ou da direita da carta que está na mesa e passa a vez.

Eu não sei dizer se gostei ou não. Só consegui achar pitoresco (que é um nome bonito pra "ruim"). =)

#GoGamers

Onstage (aka Sáng Đèn)

Rapaz, esse aqui é um jogo de vazaa com temática de ópera vietnamita. Bom, o game é vietnamita, nada mais justo que trazer um tema local para a parada. Onstage (ou Sáng Đèn nonoriginal) é um jogo de vaza em que você é tipo uma companhia de teatro disputando os melhores artistas pra sua trupe. É um jogo de vaza no qual você tem que seguir o naipe e pega os artistas do palco quando ganha as vazas. O naipe de trunfo é definido pelos artistas mais valiosos que estão no palco e vai mudando durante o jogo, conforme você recruta e mexe na fila dos artistas.



O baralho tem 36 cartas, numeradas de 1 a 9, pra cada um dos 4 naipes. São 3 artistas por naipe, num total de 12 fichas de artista. Cada naipe tem um artista valendo 1, 2 e 3 pontos, que representam, respectivamente, os atores Destaque, Coadjuvante e Principal. E olha sónque legal: a caixa vira um palco para os jogadores irem subindo os artistas (nada demais, mais é um bom charme da embalagem do game).



As cartas com valores 1, 4 e 7 de cada naipe têm uns efeitos pra mexer com os artistas no palco e na fila, o que pode mudar o trunfo atual e as chances de pontuar em cada rodada. A arte do game é bem legal.



Se no final da rodada você for o único jogador sem fichas de artista, você leva todos os artistas que estão no palco como sua pontuação da rodada. Guarde 1 carta entre cada rodada e coloque todos os artistas usados de volta na fila, atrás da fila atual, antes de começar a próxima mão na nova ordem de turno.

Joga-se o mesmo número de rodadas por jogador, e quem tiver a maior pontuação ganha. Na variante de equipes 2 contra 2, você soma a pontuação do seu parceiro no final de cada rodada, mas não pode conversar sobre suas cartas durante o jogo. Joguei a versão de duplas e gostei bastante.

Até fui assistir uns vídeos de ópera do Vietnã no YouTube depois do game. =)

#GoGamers

quinta-feira, 19 de junho de 2025

ODIN

Publicado originalmente pela Helvetiq na Europa, Odin chegou recentemente ao Brasil no formato pocket da Paper Games. O game levou o prêmio As d'Or - Jeu de l'Année award - que é um prêmio francês importante da área. E vou falar: o jogo é bem legal mesmo.



O game usa uma mecânica de climbing, mas com uma boa sacada. O primeiro jogador deve descer uma carta na mesa. Como todo climbing, o próximo deve escalar, mas em Odin tem uma diferença muito interessante. Se a carta jogada foi um 5 VERMELHO, por exemplo, o próximo jogador pode jogar qualquer carta maior que 5 ouuuu jogar duas cartas de mesmo valor ou mesma cor; com um detalhe: elas viram o número inteiro jogado. Por exemplo: se um jogador jogar duas cartas 7, o número da escalada é 77. Se o jogador jogar duas cartas verdes 9 e 4, o número da escalada é 94. E o próximo tem que escalar com duas cartas ou com três cartas nesse esquema.



Outro ponto interessante é que sempre que um jogador joga uma ou mais cartas ele precisa - obrigatoriamente - comprar uma carta jogada pelo jogador anterior. O que obriga a ter um pensamento em como você vai bater sua mão usando da melhor maneira possível suas cartas. O deck é composto de seis cores numeradas de 1 a 9 e a minha caixinha veio com a expansão da cabra, que é uma carta coringa que vale zero.



Joga de 2 a 6 players e, tranquilamente, é um dos carteados mais divertidos do ano.

Entrou na coleção!

#GoGamers

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Screw UP Bots & Nuts

Potz, não consegui gostar desse aqui. Talvez seja o momento de vida, mas eu não ando conseguindo jogar games assimétricos com cartas com texto que podem soar dúbias. Screw UP Bots and Nuts é um game sobre duas equipes de robôs controladas por uma IA que devem otimizar uma linha d eprodução resolvendo problemas técnicos.



Confesso que achei o visual e iconografia complicadas. É daqueles jogos que, de repente, alguém ganha porque estava com sorte no sorteio de missões pra cumprir.



O game até tem um turno interessante que consiste em recarregar os robôs, trazer um de volta da linha de produção com o bônus e alocar mais robôs. Até tem uma ideia de combate no game, mas que - pelo menos em dois players - não fez muita presença. O game ainda tem uma versão de 2 contra 1 e dupla contra dupla.

Parte boa: o minimalismo de 37 cartas e o preço de R$ 55,00.

#GoGamers